Leitura ou Colecionável, eis a questão! #2 – Bags & Boards

Estamos de volta com mais um artigo sobre o dilema da vida de todo leitor ou colecionar, mas hoje teremos o prazer de fazer tudo com cuidado, muito cuidado, pois nossos quadrinhos tem que ser tratados com o devido respeito em nossas coleções, e por isso cuidamos deles como verdadeiros diamantes ou peças de ouro, colocando-os em seu devido lugar, nos “Bags & Boards” – Guardando em lugares longe de umidade e mofo e em caixas especiais. Pode parecer algo simples, mas cuidar da nossa coleção não é algo fácil!

“Quem ama cuida... disse um colecionador.”

Procurando a melhor forma de cuidar

Se eu tivesse anos atrás o conhecimento sobre cuidado com a coleção que tenho hoje, talvez muitos dos meus quadrinhos estariam hoje em bom estado como se tivessem saído de dentro da banca de jornal – “Bags & Boards” se tornaram parte da vida de todo colecionador – Deixar meus quadrinhos jogados por aí em qualquer canto pegando poeira, mofo ou umidade? NUNCA MAIS!

Por isso o primeiro passo é saber qual “Bag & Board” usar ou que caixa eu deveria usar para guardar meus quadrinhos que já estão protegidos, pois essa é a maior dúvida de todo colecionador. Sabemos que quadrinhos possuem diversos formatos e tamanhos, mas qual o tamanho correto do board ou qual qualidade da bag que eu deveria usar?

Tantas opções! Mas pode ficar tranquilo, que até para cuidar de seus quadrinhos existe uma empresa especializada que fabrica produtos para esse cuidado, a BCW empresa que produz produtos de proteção e armazenamento para colecionáveis em geral (card games, cartões de baseball, moedas, ...).

Tipos de Bags & Boards

Para colecionadores mais das antigas que possuem aquele quadrinho da era de ouro ou de prata, ou para o colecionador que compra seu quadrinho toda semana, é necessário um tipo de “bag & board” especifico para cada formato de publicação – Resumindo um pouco em relação a qualidade dos produtos de proteção, todos os boards de marcas de renome no mercado possuem um material de proteção neles, um dos lados possui 3% de carbonato de cálcio que ajuda na neutralização dos ácidos expelidos pelo papel dos quadrinhos evitando a oxidação, e seus tamanhos variam em relação a época da publicação dos quadrinhos. São esses formatos.

  • CURRENT ou MODERN, para quadrinhos de 1970 em diante, sua única diferença é de alguns milímetros na lateral.
  • REGULAR ou SILVER para quadrinhos a partir dos anos de 1956 até 1969, para quadrinhos mais antigos – especificadamente para quadrinhos da era de prata – Sua diferença também é dada por alguns milímetros em sua largura, mas naquela época quadrinhos de diversas editoras não possuíam um tamanho padrão.
  • GOLDEN AGE para quadrinhos de 1938 até 1955, possui um tamanho único.

Esses formatos de boards são os padrões usados atualmente, mas além do tamanho, saber que está comprando o board certo é essencial, nesse artigo utilizamos os produtos da BCW como referência pois seus produtos são pensados e criados com foco na melhor forma de cuidar da sua coleção, porém outras empresas no mercado apresentam produtos de igual qualidade.

Saber escolher o board correto é importante, e sua importância vai muito além de simplesmente dar suporte ao quadrinho para evitar que o gibi dobre. Fique atento aos boards que possuem a especificação na embalagem “Acid Free” (livre de ácidos) e possuem ambos os lados são brancos, um deles normalmente é mais brilhante pois possui 3% de carbonato de sódio, que dá suporte a neutralização dos ácidos expelidos pelo papel, de forma geral, esse é o tipo de board que você procura, qualquer board sem esse material não terá efeito algum na preservação do seu quadrinho no médio, longo prazo, ou pior, pode acelerar a degradação do mesmo.

Agora sobre as bags é uma história totalmente diferente, elas servem tanto para a proteção externa (umidade, poeira, sujeira), quanto interna contra a oxidação das páginas. Sendo seu material na maioria das vezes de polipropileno e também possuindo as especificações de “acid free” (livre de ácidos), o que diz que os bags não irão contribuir para o amarelamento das páginas (oxidação). Possui diversos tamanho para se acoplar aos tamanhos dos boards, sendo que também existem bags já com uma aba para selamento, que ajuda muito na economia de fita adesiva na hora do selamento.

Também possuem uma variação para quadrinhos mais grossos com mais paginas que o normal, onde a profundidade do plástico é maior. E elevando ainda mais o nível de proteção, também existe a bag feita com polyester orientado ou simplesmente com polyester, onde o mais conhecida é o “Mylar”, onde sua qualidade excede as bags feitas em polipropileno, trazendo um plástico com maior transparência, proteção UV, também possuindo uma variância em sua espessura indo do mais fino ao mais rígido, os produtos feitos em Mylar e polyester orientado são normalmente usados por arquivologistas em livrarias, para armazenar documentos e garantir sua integridade.

Levar em conta o material da bag é essencial, qualquer material diferente do polipropileno, polyester orientado ou “mylar”, ou que não possua a especificação “acid free”, que são os recomendados para o cuidado da coleção, podem ser prejudiciais ao seu quadrinho. Um saco de plástico transparente comum a qual não se sabe o material ou dos comuns plásticos de acetato, podem na verdade prejudicar seu quadrinho e acelerar sua degradação. Pois o grande motivo de se utilizar esses materiais é para reduzir agentes externos e também a oxidação do papel.

“Um cuidado a mais não faz mal!”

Não vale só cuidar, tem que saber armazenar!

Se você acha que apenas colocar seu quadrinho num “Bag & Board” irá protege-lo completamente, você está enganado! Embora isso já seja sua principal proteção, contra seus principais inimigos como mofo, poeira e humidade. Existe a questão de armazenamento dos quadrinhos também, que nos colecionadores devemos levar em conta.

E é aí que entram os Fichários, Portifólios, Caixas curtas e longas de papelão, e caixas de plástico bem resistentes – Tudo depende do seu tipo de necessidade e também do tamanho da sua coleção – Você é um colecionador que procura economizar, então compre uma caixa curta de papelão, mas a mantenha longe do chão pois ela pode entrar em contato com humidade e também essas caixas não são a prova d’água. Se você quer levar seus quadrinhos para as convenções Fichários e portifólios são a escolha certa, ou se sua coleção tem que ser tratada com a proteção máxima nível batcaverna, uma caixa de plástico é o ideal. Tudo depende muito da sua necessidade de armazenamento, mas o ideal é se ter pelo menos uma caixa para colocar os quadrinhos que estão nos “Bag & Boards”.

Pois por mais cuidado que se tenha, armazenamento é importante. Ninguém quer ter uma coleção bagunçada, e em algumas dessas caixas podemos dividir por nome, usar separadores e ainda adquirir outros acessórios que podem ser colocados nas caixas.

 

Considerações finais

Existem vários fatores do por que usar esse tipo de proteção, não só por questão de coleção, mas sim por conservação, até porque cuidar das coisas que se possui é natural do ser humano, e a ideia se aplica a quadrinhos também. Caixas, sacos plásticos especiais, papel de proteção com material para conservação e cuidado contra mofo e oxidação do papel, tudo isso é necessário para manter a coleção num estado impecável por anos, mas isso também depende do quanto cabe no seu bolso investir em todo esse material de proteção, então quando estiver adquirindo seus produtos leve isso em consideração.

Para aqueles que foram curiosos e leram até aqui só tenho a agradecer, montei esse conteúdo através de pesquisas em blogs, sites jornalísticos, vídeos no YouTube e conhecimento próprio sobre o assunto e o site oficial da BCW – Muitos termos foram deixados em seu formato original pois traduzi-los poderia levar a certos erros de referência.

Estamos produzindo uma série de artigos sobre colecionismo em geral. Suas nuâncias, curiosidades, notícias de mercado e vários outros assuntos em volto desse mundo de colecionadores de quadrinhos. Espero que tenham gostado e até o próximo!

 

Escrito por Vitor da Silva Ferreira.

Colecionador, leitor, professor e designer gráfico

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